Guarani, a língua proibida
Até meados do século XVIII, falar português não
era o suficiente para se comunicar no Brasil. Na Colônia,
predominava ainda a chamada língua geral. Baseada ori-
ginariamente no tupi, ela passou por modificações ao lon-
go dos contatos entre índios e europeus, até tornar-se a
linguagem característica da sociedade colonial. A língua
geral era, portanto, falada não apenas pelos índios, mas
também por amplas camadas da população. Em algu-
mas regiões da Colônia, como em São Paulo e na Ama-
zônia, ela era utilizada pela maioria dos habitantes, a
ponto de exigir que as autoridades portuguesas enviadas
a esses lugares se valessem de intérpretes para se co-
municar.
Por tudo isso, na segunda metade do século XVIII,
a Coroa portuguesa criou uma série de leis para transfor-
mar os índios em súditos iguais aos demais colonos.
Com as mudanças, pretendia-se eliminar as diferenças
culturais características dos grupos indígenas, fazendo
deles pessoas “civilizadas”. (...) O principal mentor desta
política foi Sebastião José de Carvalho e Melo, conheci-
do mais tarde como Marquês de Pombal.
A Coroa pretendia impor o uso do idioma portu-
guês entre as populações nativas da América porque
Pombal entendia que as línguas indígenas reforçavam os
costumes tribais, que ele pretendia extinguir. Na sua
visão, o uso da língua portuguesa ajudaria a erradicar
esses costumes, aumentando a sujeição das populações
indígenas ao Rei e à Coroa.
F. GARCIA, Elisa . Revista de História da Biblioteca
Nacional, julho de 2005, p.73/74 (com adaptações).
De acordo com o texto, a imposição do uso da língua
portuguesa às populações indígenas baseava-se no
entendimento de que:
(A) os índios, ao assimilar o português, deixariam seus
hábitos.
(B) os índios aprenderiam facilmente a língua portuguesa e
os costumes do povo.
(C) os índios não precisavam de seus idiomas nativos para
se comunicar.
(D) as línguas dos índios não tinham os mesmos recursos
que a língua portuguesa.
(E) a língua usada pelos colonizadores era melhor para a
comunicação.